Email da noite

Há sempre algo a dizer ao fim do dia... O que se diz some-se para além de nós. O que se escreve fica para além do tempo. Vou-te escrever. Aguarda-me: tens email!!!

21 Janeiro, 2006


Ante-continuação 4: Well, well, well, ou por outras palavras, siga a rusga. Antes que venha a minha famosa melancolia, prestes a romper em tempos próximos, e porque quero ver todas as almas consoladas, o mundo em tons de alegria incontida e as expectativas cumpridas, debato-me aqui com as sugestões enviadas pelo meu âmago dividido em cáustico, romântico e erótico. Ah, claro, I knew that… é unânime que eu mostre o último! (acabei de consultar o meu muito amado motor de busca, que me aconselhou) Eu vivo rodeada de mentes depravadas, oh yeah, mas quando irei finalmente reconhecer tal? Seja! Mandai-me as crianças para a cama, que eu cumpro o que prometo. Vai daí, e fazendo-me de moderna e, vá lá, porque me pelava por pôr uma bolinha em tais escritos (e me foi expressamente sugerida ou solicitada, let’s put the thing this way), a salgalhada continuou assim:
A conversa entre Eles, nesse dia, correu como se o tempo tivesse parado. Ela nem atentava na diferença de idades e o Tio da Cunhada, o Segundo desta história, foi ganhando terreno na admiração e confiança dela. Aquele saber feito e já vivido fazia dedilhar nela a corda do interesse e do desafio. De olhos cor de terra e dedos longos e insinuantes, o Segundo-Ele despoletava nela um desejo de ser conquistada no espírito e de lhe deixar cobrir o corpo. Assim, o Segundo, (sabedor do envolvimento da Prima no enredo), tocado por aquela mágoa dela, levado pelo seu magnetismo que a outros apetecia num corpo de deusa e se adivinhava apesar de escondido em vestes largas, notava uma necessidade cada vez mais urgente de lhe sentir o calor do corpo, uma fome forte de a tocar, a beijar, roçar o corpo naquele corpo, a ponta dos dedos dela na sua boca, os lábios dela no seu pescoço.
E, nos encontros, depois daquele pequeno-almoço, foram aumentando a parada, o despique, as insinuações. As conversas ( e não só) preenchiam horas de descoberta mútua numa faceta erótico-literária, a vontade de se afundarem em abismos e treparem a altitudes nunca imaginadas, onde a carne seria comandada pelo espírito. Loucuras, partilhadas. Pelo caminho, a imagem do Ele, o Primeiro, a esbater-se, a misturar-se com outras reproduções cada vez mais indefinidas, como se só ficasse a memória de um passado onde Ela já não reconhecia o encanto um dia descoberto nas Salas do Palácio e a premonição de um número exacto de degraus.
E foi num cair da tarde, quando entraram no elevador, (ah…at last! Os pequenos já estão mesmo a dormir?), que o Segundo a beijou como nos filmes americanos. Primeiro um sugerir de comer-lhe o lábio inferior, depois a ponta da língua a tomar-lhe o sabor, e então a língua dela já a procurar a dele, depois as bocas a colarem-se até perderem a respiração. E uma das mãos dele a enfiar-se sob a camisola dela, os seios nus por baixo da roupa a elevarem-se com o toque da mão direita dele, enquanto a outra lhe descia pelas costas e se insinuava por dentro da saia, afagando o contorno das nádegas. Depois, num gesto imprevisto, levantou-lhe a camisola e encaixou as mãos naqueles pomos que pediam a sua boca. Ela suspirou, sentindo o corpo estremecer, deixou-se estar assim uns minutos deleitada, e depois, sorrindo-lhe, maliciosa, baixou-se, descendo com as mãos pelo peito dele, tocando, abrindo caminho nas calças que pareciam não comportar já tanto desejo. O elevador parou na garagem, a porta abriu-se, tudo escuro para além dali. Ele gemeu baixinho, antecipando o calor que se anunciava…
Foi então que uns passos soaram no cimento frio da garagem. Ela endireitou-se, o cabelo em desalinho, o rosto afogueado, um sorriso de quem tem urgência de sair dali. Ele ria-se baixinho como se fosse de novo um adolescente apanhado em pomar alheio. E então, quando saíram, depararam com Ele, o Primeiro, ali, a olhar para eles…



(Ora cá está a bolinha no canto inferior esquerdo! Eu acho que sei o que é um blog e com bolinhas. Oooops… Risca essa, também. O Speedy já usei noutro post pelo que aqui estaria a mais, digo eu… quanto a essa coisinha surpreendente, o Pinóquio, as you can imagine, não será admiração o final que se aproxima.)

3 Comments:

  • At Dom Jan 22, 12:23:00 AM 2006, Blogger MWoman said…

    Olha, trenga-mor, o teu email está com sarampo?
    Isso é doença contagiosa?

    Vê se te despachas com esse final que por acaso (mas é só por acaso)não me parece que seja coisa amistosa!

     
  • At Dom Jan 22, 03:40:00 PM 2006, Blogger Thiago Forrest Gump said…

    Quero ver o desfecho! :D

     
  • At Seg Jan 23, 08:57:00 AM 2006, Blogger Vulcão said…

    Ai que o meu pedido foi atendido!
    Demos graças, "irmões" :)))

    A malta pede uma bolinha e ela aí está!!! Ai que eu gostei tanto, mas tanto... :)))

    E acredita que está plenamente de acordo com a cena escaldadérrima do elevador d'Ela com o Segundo.
    Nem eu escreveria melhor (ehehe - brincadeirinha, né cara!)

    Mais, mais, mais...(sim, mais de tudo, adivinhaste, ó mente perversa)

     

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