Email da noite

Há sempre algo a dizer ao fim do dia... O que se diz some-se para além de nós. O que se escreve fica para além do tempo. Vou-te escrever. Aguarda-me: tens email!!!

28 Janeiro, 2006

Assunto: pausa de pós-pasto, ou como quem diz, ficamos na sobremesa

Minha cara amiga,
não tenho tido mãos a medir, seja lá qual for a unidade de medição, a seco ou molhado, que te esteja a passar pela tolinha. Daí que os dedos não tenham acariciado ou sequer aflorado as teclas do meu inseparável “ portátel” nestes dias, para te escrever. O meu sentido e sentado pedido de escusas por tal facto.
É verdade: tenho gasto o tempinho a seguir a tua sábia sugestão! Olha e tenho emailado tanto, mas tanto, que já “soldei” a história nos cinco continentes. Fiz como disseste, e num gesto simples de “copi/pasta” fiz uma data de “fóades” e “sendei” prós amigos e amigas o folhetim todo. Atingi o milhão de visitantes (o que uma mulher atinge!), a caixa do correio está a abarrotar de “hi-ansars” (até sobram na bateria), tenho recebido mais felicitações que o presidente (ele é postais, cartazes, cartas e afins), nado em elogios (e na própria baba, mas isso é costume) e pasma-te, agora sim, sou famosa!!! Tenho um calo novo de tanto autógrafo, (que gosto do virtual mas também do terra-a-terra) e a minha assinatura está a melhorar de dia para dia (acho que posso voltar a assinar cheques e livros de ponto).
Agora o segredo: isto de as pessoas serem famosas é bom, sabias? Podemos berrar, espernear, cantar à chuva, fazer uma xixizada nos cantos, mandar uma série de vizinhos apanhar onde lhes doer mais, usar vocabulário cibernético e fica tudo bem quando acaba bem. (Agora livrem-se de me chamar aquele nome feio, suas invejosas). Minha querida, agora tornei-me… excêntrica. Sempre sonhei um dia juntar isso ao nome de baptismo.
Ah, vou ser rápida que ainda hoje tenho de “criate” a “niu massage”. Já escolhi o aroma dos óleos e tudo. Tenho de avisar os/as fãs que as minhas inigualáveis “stories” deram o que tinham a dar. Por agora. Agora vou viajar. Arranjar novos temas e novos personagens. Espera aí uma edição nova, um destes dias.
Na verdade guardei uma edição printada desta novela para ti. Espera pelo cházinho do costume para a entrega com gala e pompa ( e a minha poupa).

Ps1: Ainda não faças o deletanço deste endereço, porque, se tiver news, sendo-te uns emails volta e meia ou se me der na volta.
Ps2: Vai olhando pró “traxe”. Desconfio que muito do meu escrito verte directamente na “box dos juncos”.
Ps3: Não fiques triste, que todos os dias eu vou arranjar material para fazer uns drafts (não me posso é esquecer de tomar os drunfs das vitaminas, claro).
Ps4: Agora vou voltar para a inbox, que é uma forma de te dizer que vou arrumar a lingerie na mala para seguir viagem.
Até…depois, sim?

23 Janeiro, 2006

Ante-final

Tudo tem um fim: essa é a grande conclusão a que se chega. Até folhetins que se pretendiam ter um efeito mais duradouro que comprimidos para induzir o sono. (Não me vais pôr a falar de campanhas, sejam elas quais forem, nem que espirres o resto da vida deste blog. Como diria um intelectual da minha vizinhança: tu alimpa-te. Até eu tenho assuntos tabu!)
Avancemos, que a noite foge-me entre teclas e eu, confesso, já não surpreendo ninguém. (E, tirando um ou outro dia, até eu já nem me surpreendo.) Olho a lista, para ver se realizei na íntegra a tarefa e se vou ganhar a remuneração prometida, que inclui dez mil visitas a este blog e outros tantos comentários e e-mails a que só vou responder nos próximos dez anos… Vejamos: já falei dos sapos (com inchaços e tudo); dos príncipes (não chegam a reinar, isto é um principado de bananas), dos astros (sobretudo da Lua, tá de luas) e finalmente, só para veres que também eu faço revisões, já dei um aquecimento às bolas (incluindo a de cristal). Nada mais me resta, com a exultação do dever cumprido, que dizer-te que a lista se esgotou. Isso e que, sendo o espirro mestre do folhetim, o escrito vai ser longo que nem rolo de papel higiénico desembrulhado. Nesta alergia sem cura e aparentemente contagiosa (não é sarna, não é sarampo, não é varicela, não é rubéola…), vou coçar aqui a cabeça dos dedos e encerrar esta paspalhice assim:

Naquele olhar dele, do Primeiro, bailou a desconfiança e finalmente a surpresa. O rosto dela mostrava a satisfação da mulher que vive o amor e é bem coberta. No rosto do Segundo a intimidade e cumplicidades que cintilam e fazem a inveja dos outros humanos. No coração do Primeiro a incredulidade deu lugar à mágoa, ao despeito, à raiva de ter perdido algo para sempre. Por isso, casou-se com a Prima, emigrou para um país frio além Atlântico e tiveram muitos filhinhos, com olhos azuis e, benza-os Deus, nada parecidos com o pai.
Não sendo isto o tal conto de encantar, nem Ela bruxa, e porque melaço é coisa que a esta hora não condiz com a narrativa, um dia o Segundo veio com a conversa e ar circunspecto de Pinóquio já a precisar de comprimidos azuis, afirmar-lhe que tinha acabado o clic. Ela engoliu em seco, voltou a não perceber, que nisto qualquer Ela nunca há-de perceber os desencontros de tempo nos interesses, entregas e partilhas de afectos, e ficou-se com as memórias de que um dia há-de escrever em livro.
Por isso, pôs-se em pesquisas no Google, que eu não deixaria de fora para contento dos que querem cultura, e decidiu ver todos os monumentos que fossem património da humanidade.
Um belo dia, porque esses dias são sempre belos, admirava Ela a Charola do Convento de Tomar, quando um personagem entra, tal qual saído de um filme. Longo sobretudo cinzento, as mãos nos bolsos, em admiração profunda do local. E num impulso que jamais terá explicação, Ela dirigiu-se a Ele e em voz profunda e quase mística disse-lhe:
__ Tu és o meu homem!


Granda Conclusão: Ai, filha, depois disto, tu escarrapacha tudinho: diários, semanários, mensários, anuários… Juro, sou fã de histórias a sério. O Site (aquele!) vai parecer o metro (ou meter?) em hora de ponta. E agora, por favor, que já não sou de ambicionar surpreender qualquer living soul, surpreende-me… a mim.

21 Janeiro, 2006


Ante-continuação 4: Well, well, well, ou por outras palavras, siga a rusga. Antes que venha a minha famosa melancolia, prestes a romper em tempos próximos, e porque quero ver todas as almas consoladas, o mundo em tons de alegria incontida e as expectativas cumpridas, debato-me aqui com as sugestões enviadas pelo meu âmago dividido em cáustico, romântico e erótico. Ah, claro, I knew that… é unânime que eu mostre o último! (acabei de consultar o meu muito amado motor de busca, que me aconselhou) Eu vivo rodeada de mentes depravadas, oh yeah, mas quando irei finalmente reconhecer tal? Seja! Mandai-me as crianças para a cama, que eu cumpro o que prometo. Vai daí, e fazendo-me de moderna e, vá lá, porque me pelava por pôr uma bolinha em tais escritos (e me foi expressamente sugerida ou solicitada, let’s put the thing this way), a salgalhada continuou assim:
A conversa entre Eles, nesse dia, correu como se o tempo tivesse parado. Ela nem atentava na diferença de idades e o Tio da Cunhada, o Segundo desta história, foi ganhando terreno na admiração e confiança dela. Aquele saber feito e já vivido fazia dedilhar nela a corda do interesse e do desafio. De olhos cor de terra e dedos longos e insinuantes, o Segundo-Ele despoletava nela um desejo de ser conquistada no espírito e de lhe deixar cobrir o corpo. Assim, o Segundo, (sabedor do envolvimento da Prima no enredo), tocado por aquela mágoa dela, levado pelo seu magnetismo que a outros apetecia num corpo de deusa e se adivinhava apesar de escondido em vestes largas, notava uma necessidade cada vez mais urgente de lhe sentir o calor do corpo, uma fome forte de a tocar, a beijar, roçar o corpo naquele corpo, a ponta dos dedos dela na sua boca, os lábios dela no seu pescoço.
E, nos encontros, depois daquele pequeno-almoço, foram aumentando a parada, o despique, as insinuações. As conversas ( e não só) preenchiam horas de descoberta mútua numa faceta erótico-literária, a vontade de se afundarem em abismos e treparem a altitudes nunca imaginadas, onde a carne seria comandada pelo espírito. Loucuras, partilhadas. Pelo caminho, a imagem do Ele, o Primeiro, a esbater-se, a misturar-se com outras reproduções cada vez mais indefinidas, como se só ficasse a memória de um passado onde Ela já não reconhecia o encanto um dia descoberto nas Salas do Palácio e a premonição de um número exacto de degraus.
E foi num cair da tarde, quando entraram no elevador, (ah…at last! Os pequenos já estão mesmo a dormir?), que o Segundo a beijou como nos filmes americanos. Primeiro um sugerir de comer-lhe o lábio inferior, depois a ponta da língua a tomar-lhe o sabor, e então a língua dela já a procurar a dele, depois as bocas a colarem-se até perderem a respiração. E uma das mãos dele a enfiar-se sob a camisola dela, os seios nus por baixo da roupa a elevarem-se com o toque da mão direita dele, enquanto a outra lhe descia pelas costas e se insinuava por dentro da saia, afagando o contorno das nádegas. Depois, num gesto imprevisto, levantou-lhe a camisola e encaixou as mãos naqueles pomos que pediam a sua boca. Ela suspirou, sentindo o corpo estremecer, deixou-se estar assim uns minutos deleitada, e depois, sorrindo-lhe, maliciosa, baixou-se, descendo com as mãos pelo peito dele, tocando, abrindo caminho nas calças que pareciam não comportar já tanto desejo. O elevador parou na garagem, a porta abriu-se, tudo escuro para além dali. Ele gemeu baixinho, antecipando o calor que se anunciava…
Foi então que uns passos soaram no cimento frio da garagem. Ela endireitou-se, o cabelo em desalinho, o rosto afogueado, um sorriso de quem tem urgência de sair dali. Ele ria-se baixinho como se fosse de novo um adolescente apanhado em pomar alheio. E então, quando saíram, depararam com Ele, o Primeiro, ali, a olhar para eles…



(Ora cá está a bolinha no canto inferior esquerdo! Eu acho que sei o que é um blog e com bolinhas. Oooops… Risca essa, também. O Speedy já usei noutro post pelo que aqui estaria a mais, digo eu… quanto a essa coisinha surpreendente, o Pinóquio, as you can imagine, não será admiração o final que se aproxima.)

18 Janeiro, 2006

Ante-desenvolvimento 3 : Caracoles! Isto de tentar dar ponto e nó é uma grande trabalheira. As minhas amigas, que bem hajam, também sabem lá o que querem! Uma, porque a coisa está cor-de-rosa e devia estar doutra cor, borro eu a pintura e já queria o rosa de volta. Outra, porque agora quer cor de pantera à viva força, quando eu dessas tintas conheço poucos cambiantes. Agora histórias _ jamais estórias, é ponto assente _ do País dos Sonhos não cabem nesta narrativa expurgada. Está bem, eu vou inserir (repara no termo) o Pinóquio, até porque gostei dessa cena de ele ter uma proporção assim-e-tal-enfim-a-lembrar-o dito. Coño, a realidade é que, por mais que faça piruetas, o meu crivo não tapa o astro-rei, que é como quem diz, não consigo tapar o sol com a peneira. Por falar em peneirices, vamos lá então voltar à disco, com barulhos de luzes e acção, que passará a ser relatada assim:

A Prima insinuava-se por entre o fumo, as luzes e o trepidar dos baixos. A blusa provocante e expondo o opulento peito no decote que tocava muito de perto o umbigo, sorria para Ele e deixava que os cabelos ruivos, que lhe chegavam à cintura, o roçassem quando se debruçava para pegar o copo de uma mixórdia de cor duvidosa. De calças transparentes e onde se adivinhava um fio, a Prima saracoteava-se e, entre gargalhadas soltas, chamava-o para a pista. E Ele, que sempre gostara dela de boca fechada, alinhava no jogo, sentindo-se xá em harém caído dos acasos. Sem entender muito bem, Ela captava o ambiente e olhava o cenário com surpresa, enquanto o Primo, em compreensão só entendida por machos, soltava que um homem não é de pau. E a noite acabou com um novo brilho no olhar dele, disfarçado apenas por um tu és tola, fofinha e um beijo de raspão, que se sabe lá em que ambos pensariam.
Na manhã seguinte, Ela levantou-se depois de noite mal dormida e enquanto tomava o pequeno-almoço no cafezinho da esquina, entrou o Tio da Cunhada e num cumprimento tímido, perguntou se podia sentar-se ali….

(risca as cores, a música e o pequeno-almoço. Os filhos de além mar terão de esperar que, como sabes, costumam demorar nove meses a surgir em cena)

17 Janeiro, 2006

Ante-capítulo 2: Agora até parece que fui contratada para escrever o enredo das próximas alienações televisivas! Ai a minha vida e ao que uma mulher se sujeita nos dias prá frentex deste século! Arre, porra, que até certos cães têm melhor sorte. Mas vamos à narrativa, que se faz tarde e eu não ganho a minha vida com isto. Para prender atenções, vã ilusão, minha amiga, prometo disparates a jorro, desencantos à fartazana, um capítulo com bolinha para alegrar o povo, morbidez que faz sempre a delícia alheia, desejo e ciúme para condimentar, saudades e adeus que é a sina das vidas sentidas, pequenos-almoços e sobre as mesas para meter culinária, esperança como lenitivo para males de alma, e no fim… nem eu sei que coisa vai sair daqui. Mas a quem interessa? Esquece essa do vermelho-paixão hoje. Vamos lá a pôr o meu leitor novo de mp3 a funcionar, abanar aqui o toutiço e pôr-me a escrever a versão de cerejas com melaço que, por acaso, hoje, continua assim:

Depressa Ela viu que essa treta (já meti a “treta”: toca a riscar da lista dos pedidos!) das almas pares, do ponto de luz invisível por cima do ombro do Complemento, da metade do fruto que se haverá de encontrar, da predestinação sapiente divina, dos contos e romances era, na verdade, mesmo treta! E das descomunais. Pequenos nadas, desagrados ínfimos, coisinhas que se amontoavam e Ela ia sacudindo como caspa incómoda, mas que iam ficando no rol dos desenganos. Começou com uma pequena mentirinha, depois alargou-se à omissão de factos, depois prolongou-se pelo esconder deliberado e o caudal a encher, o rio do desconforto a ameaçar inundação e Ela a engolir sapos, que nesses nunca acreditou que virassem príncipes. E Ele, em telenovela mexicana, onde os lábios não batiam com as palavras, a chamar-lhe “mi vida” e “cariño” com muchos bejos. Tudo muy belo! E porque o insólito faz parte da vida tudo começou no dia em que foram à discoteca e …
(porque trucidei assim um amor tão lindo?! Olha, porque nunca tive jeito para a cozinha e a massa azedou… e porque entrou a Prima e depois vai entrar o Primo, e a família toda e mais alguém que amanhã me dê na veneta…)

15 Janeiro, 2006

Assunto: Uma vez era…

Ante-história: O lanchinho correu na perfeição e até saiu história! Aleluia, que tardas, enrolas, adias, mas saiu coisa à maneira!! Ou seria : há maneira? Claro, na próxima pausa exijo a presença da Mini-trenga. “Voçês” fazem-me escrever, carago! O leque, sem dúvida, esteve bem… e o colar de pérolas que “guardas-te” para eu ver depois, melhorou substancialmente o cenário… O que se aprende nestas pausas, digo eu! Aguardo, numa crise de ansiedade crescente, uma tua próxima história. Tanto hei-de malhar que hei-de conseguir que escrevas mais dessas…
Agora vamos à propriamente dita. Terá de meter (a pedido aqui da minha vizinhança, que é do mais rigoroso e moralista!) romance, um elevador, uma cena escaldante, tretas e saturações…
Continuando, e para elevar a moral de ambas as duas elevadas ao quadrado, o que se me está a fugir pelo teclado fora constava assim:

Uma vez era… (Ia começar com a tal frase de “Era uma vez”, mas hoje dormi com um pé de fora.)
Esta história tem Ele, Ela, Eles e Elas. (Desta vez vai também ter gente que encheria um estádio.) E conheciam-se todos, mas faziam que se conheciam ou não, quando dava jeito. Vou situar a história em Mafra, porque me apetece, e porque te disse que iam entrar sons de carrilhões… (adoro, estas palavras têm cá uma sonoridade!)
O Momento estava escrito há muito, Eles tinham de se encontrar. Mais cedo ou mais tarde, subiriam aquela escadaria, em quatro lances, oitenta e dois degraus, e na Sala da Caça os olhares iriam finalmente cruzar-se. (momento solene de prosa poética, aprecia-me)
Ele ficou preso naquele jeito dengoso dela (espera, que vou mudar o sotaque para telenovela brasileira), ela se maravilhou com seu olhar triste e meigo, seus corações bateram bem mais rapidinho, um arrepio de paixão os percorreu todinhos e ficaram de ponta cabeça. Nossa, coisa tão estranha, né? Alma-gémea memo ali. Amor à primeira vista, uau! Sem previsão nem ditado pelos planetas.
(Opa, opa, opa... Alto lá! Vira pró sério, minina!)
Voltaram a encontrar-se. E, de cada vez, algo novo, intenso, ardente, forte que aparentemente os unia. Amaram-se como se amam os que sentem a urgência de estar com o outro, sentir o outro, entregar-se ao outro, saborear o outro…
(Ah ,pois… Está-se mesmo a ver que já querias as cenas escaldantes! Pois espera para amanhã, que isto não são os discos pedidos, ora essa! )
….
(cont.)

13 Janeiro, 2006

Assunto: Pausa para lanche.

Pois é, minha querida, acredito que até as minhas histórias, não sei bem porquê com uns pós de pseudo-poesia à mistura, te cansem a ti também.
A verdade é que o fastio já não está só no tempo frio, não está na escrita, não está no que nos rodeia. Está também no tempo frio, está também no que escrevemos e está em quem nos rodeia.
O teu envelope, nesta minha mania de ver além das coisas, sem lupas de aumento e já com alguma dificuldade em ver letras miudinhas, trouxe-me à memória umas quantas considerações: nada que te interesse, mas que me deixam assim, a pairar sobre alguns factos que me entram pelos olhos dentro, por vezes. E que preciso de deglutir à minha moda.

Sabes, naquelas minhas topadas inexplicáveis com coisas, que lá deverão ter o seu significado escondido e que só depois lhes encontro o intuito, deparei com isto: “All we see and all we seem, is but a dream within a dream." de Edgar Allan Poe.
Muito interessante esta coisa de abrirmos um livro ao acaso e escolher dali uma frase ou ideia. Já me viste? Assim, tipo dama antiga, abanando-me em sintonia com a orquestra, em festa de salão, segurando os óculos redondinhos e a mandar bitaites? É como me sinto agora… Sentadinha, a observar o salão de dança. A pensar em sonhos dentro de sonhos. No que vemos e no que somos.
(Ah… sabias que há pessoas que pensam que estamos mesmo a pirar? Coisa mais estranha, menina! Haverá razão para preocupação imediata?)

Voltarei amanhã às histórias. Diversão que faz sentido, mesmo sem envelopes, por enquanto… Terás o teu, de volta, após este momento de devaneio. (por falar nisso; tu vai lá dar uma satisfação aos leitores do dito, filha, que andam desorientados).

Hoje, pausa para lanche ou vamos mais logo dançar uma valsa? Caso entres na dança, traz o leque. É chique.